Um mapa do Rio de Janeiro do entresséculos desenhado pela escrita de Júlia Lopes de Almeida (1862–1934). Entre por um lugar e desça até os trechos, as obras e os documentos onde a cidade aparece.
Romancista, cronista e idealizadora da Academia Brasileira de Letras — da qual foi excluída por ser mulher. Sua obra é um arquivo vivo do Rio de Janeiro da Belle Époque: confeitarias, teatros, morros e bairros que ainda podemos percorrer. Este projeto remonta a cidade a partir das menções que ela deixou — do bairro ao trecho, do trecho ao livro inteiro em domínio público.
Bairro litorâneo da Zona Sul, à beira da enseada e com vista para o Pão de Açúcar, reduto da elite carioca no entresséculos. Cenário do romance A Falência (cap. 24).
Morro colonial da zona portuária (Saúde), de ruas estreitas e casario antigo. Cenário do romance A Falência (cap. 4).
Bairro imperial da Zona Norte, sede da Quinta da Boa Vista. Cenário inicial do romance Memórias de Marta (cap. 1).
Bairro residencial no alto de um morro, servido por bondes. Júlia mantinha ali um casarão onde oferecia saraus nos jardins — o Salão Verde, espaço de debate das mulheres da época.
Casa de ópera e teatro inaugurada em 1909 na Cinelândia, marco da Belle Époque carioca. Registrado por Júlia na coluna "Dois dedos de prosa" (O Paiz, 20/07/1909).
Em 1897, Júlia foi a única mulher entre os idealizadores da ABL, mas, por ser mulher, ficou de fora da lista dos imortais. O episódio reaparece na crônica "Dois dedos de prosa" (31/10/1911).
Jardim público mais antigo do Brasil, na Lapa. Em 03/06/1901, Júlia retirou o véu do busto de Gonçalves Dias na festa comemorativa ali realizada, citada por O Paiz como "a distinta literata".
Confeitaria histórica fundada em 1860, ponto de sociabilidade da Belle Époque carioca. Registrada por Júlia na crônica "Dois dedos de prosa" (O Paiz, 23/11/1909).
Maior biblioteca da América Latina, em seu edifício na Cinelândia. Aparece na crônica "Dois dedos de prosa" (O Paiz, 15/11/1910).
Endereço em Santa Teresa associado a Júlia, descrito como "um lar de artistas" na crônica homônima de João do Rio.
Coordenação
Iniciação Científica (PIBIC/UFF)