Júlia Lopes de Almeida Rio Cartográfico
A cidade lida como obra

O Rio de Júlia,
rua por rua.

Um mapa do Rio de Janeiro do entresséculos desenhado pela escrita de Júlia Lopes de Almeida (1862–1934). Entre por um lugar e desça até os trechos, as obras e os documentos onde a cidade aparece.

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Cidade do Rio de Janeiro
Rio de Janeiro · 10 lugares
10 lugares 8 obras 4 menções catalogadas Fundo JLA · 1862 – 1934 · domínio público
1862 — 1934 · Rio de Janeiro

Júlia Lopes de Almeida

Romancista, cronista e idealizadora da Academia Brasileira de Letras — da qual foi excluída por ser mulher. Sua obra é um arquivo vivo do Rio de Janeiro da Belle Époque: confeitarias, teatros, morros e bairros que ainda podemos percorrer. Este projeto remonta a cidade a partir das menções que ela deixou — do bairro ao trecho, do trecho ao livro inteiro em domínio público.

O arquivo de lugares

Cada ficha abre seus trechos · role
Zona Sul · bairro 2 menções

Botafogo

Bairro litorâneo da Zona Sul, à beira da enseada e com vista para o Pão de Açúcar, reduto da elite carioca no entresséculos. Cenário do romance A Falência (cap. 24).

FICHA · LUG-001 natureza: literária + biográfica
Centro · morro 1 menção

Morro da Conceição

Morro colonial da zona portuária (Saúde), de ruas estreitas e casario antigo. Cenário do romance A Falência (cap. 4).

FICHA · LUG-002 natureza: literária
Zona Norte · bairro 1 menção

São Cristóvão

Bairro imperial da Zona Norte, sede da Quinta da Boa Vista. Cenário inicial do romance Memórias de Marta (cap. 1).

FICHA · LUG-003 natureza: literária
Centro · bairro a catalogar

Santa Teresa

Bairro residencial no alto de um morro, servido por bondes. Júlia mantinha ali um casarão onde oferecia saraus nos jardins — o Salão Verde, espaço de debate das mulheres da época.

FICHA · LUG-004 natureza: biográfica
Centro · instituição a catalogar

Theatro Municipal

Casa de ópera e teatro inaugurada em 1909 na Cinelândia, marco da Belle Époque carioca. Registrado por Júlia na coluna "Dois dedos de prosa" (O Paiz, 20/07/1909).

FICHA · LUG-005 natureza: literária
Centro · instituição a catalogar

Academia Brasileira de Letras

Em 1897, Júlia foi a única mulher entre os idealizadores da ABL, mas, por ser mulher, ficou de fora da lista dos imortais. O episódio reaparece na crônica "Dois dedos de prosa" (31/10/1911).

FICHA · LUG-006 natureza: literária + biográfica
Centro · praça a catalogar

Passeio Público

Jardim público mais antigo do Brasil, na Lapa. Em 03/06/1901, Júlia retirou o véu do busto de Gonçalves Dias na festa comemorativa ali realizada, citada por O Paiz como "a distinta literata".

FICHA · LUG-007 natureza: biográfica
Centro · confeitaria a catalogar

Casa Cavé

Confeitaria histórica fundada em 1860, ponto de sociabilidade da Belle Époque carioca. Registrada por Júlia na crônica "Dois dedos de prosa" (O Paiz, 23/11/1909).

FICHA · LUG-008 natureza: literária
Centro · instituição a catalogar

Biblioteca Nacional

Maior biblioteca da América Latina, em seu edifício na Cinelândia. Aparece na crônica "Dois dedos de prosa" (O Paiz, 15/11/1910).

FICHA · LUG-009 natureza: literária
Santa Teresa · rua a catalogar

Rua Joaquim Murtinho, 587

Endereço em Santa Teresa associado a Júlia, descrito como "um lar de artistas" na crônica homônima de João do Rio.

FICHA · LUG-010 natureza: biográfica

Cronologia

1862 — 1934
1862
Nasce no Rio de Janeiro, filha de Valentim José da Silveira Lopes (Visconde de São Valentim, médico) e Adelina Pereira Lopes, ambos portugueses emigrados para o Brasil.
1881
Estreia literária na Gazeta de Campinas, com uma crônica sobre a atriz italiana Gemma Cuniberti.
1888
Inicia a publicação em folhetim de Memórias de Marta na Tribuna Liberal (1888–1889).
1892
Publica o romance A Família Medeiros.
1897
Única mulher entre os idealizadores da ABL; por ser mulher, não integra a lista dos imortais, sendo registrada apenas como esposa de Filinto de Almeida.
1899
Memórias de Marta, antes em folhetim, é lançada em formato de livro.
1901
Publica A Falência, uma de suas obras mais conhecidas. No mesmo ano, retira o véu do busto de Gonçalves Dias no Passeio Público, citada por O Paiz como "a distinta literata".
1909
Mantém a coluna semanal "Dois dedos de prosa" em O Paiz, com crônicas sobre o Theatro Municipal e a Casa Cavé.
1922
Presidente de honra da I Conferência pelo Progresso Feminino, ao lado de Bertha Lutz, dedicada ao ensino e à instrução feminina e ao voto feminino no Brasil.
1934
Falece no Rio de Janeiro; a partir de então é gradativa e injustamente afastada da memória e da história literárias.

Equipe

Quem mapeia

Anna Faedrich

Coordenação

Maria Eduarda Vasconcelos

Iniciação Científica (PIBIC/UFF)